08/04/2018

Sketch Tour Portugal - Tomar

Dias 3 e 4

Se tivesse de escolher um dia favorito de todos os que passámos a desenhar no centro de Portugal, seria o quarto, em Tomar. Tínhamos chegado no final de tarde do dia anterior, já com a presença do Pedro, que iria fazer a reportagem video para o Turismo de Portugal, fizemos um desenho na Praça da República, eu sentado no chão, a Inma num banco de jardim. Descemos depois a rua, em direcção ao rio, entrámos no café Paraíso para beber um chá quente. Tinha um ambiente retro, mobiliário cromado e mesas de tampos em mármore cinzento. Um pé direito altíssimo, com colunas gigantes de pedra meio dourada semeadas pela sala, e uma música de encher a alma. Esse lugar seria um dos mais encantadores que haveríamos de encontrar na cidade, onde a Inma fez um desenho incrível. 

Nesse dia quatro fomos cedo para o Convento de Cristo. Existem poucos sítios que me dêem tanto prazer desenhar como mosteiros e conventos. Gosto de sentir aquela história, de percorrer sozinho corredores e claustros em lajedo de pedra, de ouvir o eco, de olhar os detalhes, de tocar na pedra, sentir-lhe a textura e o peso dos séculos. Quando olho para os desenhos revejo esse deslumbramento, e um tempo que nesse dia teimou em passar devagar.

Days 3 and  4

If I had to choose a favorite day from all days we had drawing in the center of Portugal, it would be the 4th, in Tomar. We arrived at the end of the day of the day before, also with Pedro, who would make the video report for Turismo de Portugal. We made a drawing in the Republic Square, me seated on the floor, Inma on a bench. We then cross the street, towards the river, we found cafe Paraíso where we drink a hot tea. That place had a retro environment, chrome furniture and tables in gray marble tops. A very tall floor to ceiling hight, with giant columns of golden stone, and a soul-filling song. This place would be one of the most charming that we would find in the city, where Inma made an incredible drawing.

On this 4th day we went early to the Convent of Christ. There are few places that give me as much pleasure to draw as monasteries and convents. I like to feel the history, to go through corridors and cloisters in stone, to hear the echo, to look at the details, to touch the stone, to feel the texture and weight of the centuries. When I look at the drawings, I see this wonderment, and a time that slowly persisted in that day.


Desenho Inma Serrano - Café Paraíso

 Claustro do Cemitério - Convento de Cristo

 Janela do Capítulo - Convento de Cristo

Claustro da Hospederia - Convento de Cristo

05/04/2018

Sketch Tour Portugal - Caldas da Rainha

Dia1

A nossa jornada começou na segunda feira pelas Caldas da Rainha. 
Depois de um duelo com a Inma Serrano, num quiosque da então deserta Praça da Fruta, fomos jantar à Casa Antero, um sítio encantador e com boa cozinha. Provei uma iguaria pela primeira vez na minha vida: presunto de vaca - absolutamente delicioso. No final do jantar, contagiado pela energia da minha partnére, acabei por fazer este desenho, que na altura não me encheu as medidas. No final da semana, decidi que valia a pena resgatá-lo, e acabei por lhe dar cor. E acho que valeu a pena.

Day 1

Our journey began on Monday in Caldas da Rainha.
After a duel with Inma Serrano, in a kiosk in the empty Praça da Fruta, we went to dinner at Casa Antero, a charming place with good cuisine. I tasted something for the first time in my life: beef ham - absolutely delicious. At the end, surrounded by the energy of my partner, I decided to draw inside, which at the time I didn´t like. At the end of the week, I decided it was worth rescuing him, and I ended up giving it some color. And I think it was worth it.





02/04/2018

Sketch Tour Portugal - BATALHA

Dia 5 

Foi talvez uma das mais incríveis e ao mesmo tempo extenuantes semanas do meu ano de 2018. Poder acompanhar a Inma Serrano durante cinco dias, com o objectivo de desenhar o centro do país para o projecto Sketch Tour Portugal, foi um verdadeiro privilégio, e ao mesmo tempo um enorme desafio. O ritmo da Inma é alucinante - em número de desenhos e em qualidade, mas o que me deixa mesmo deliciado é a forma simples e apaixonada com que os faz, com resultados que a mim me tiram completamente a respiração. E como se tudo isto não bastasse, foi óptima companhia. Obrigado Inma!

Conheço-me bem demais para desconfiar que os melhores desenhos apenas os iria fazer nos últimos dias. Não estava enganado. De todos os desenhos que fiz nestes cinco dias, metade dos da Inma, o primeiro que fiz na Batalha é o meu favorito. Sentei-me debaixo de um daqueles arcos de pedra amarelada, por entre pilares fininhos. Abri o caderno e comecei a desenhar. Naquela meia hora caiu uma chuvada mágica, daquelas que faz muito barulho e que nos impressiona. Depois terminou repentinamente, abrindo espaço para um céu muito azul destapado entre as nuvens.

É o meu desenho favorito porque tem coisas que não aparecem mas sei que estão lá. A chuvada monumental que caiu naquela meia hora e o som ensurdecedor da água a cair do céu, estatelada violentamente no lajedo de pedra. O contentamento de ter vivido uma experiência inesquecível com alguém que admiro e de quem gosto tanto. A sensação de um dever cumprido depois de uma semana às vezes tão difícil. E uma felicidade efémera que não se consegue descrever, mas que por vezes se consegue partilhar.

Day 5

It was perhaps one of the most incredible and exhausting weeks of my 2018. Being able to host Inma Serrano for five days to draw the center of the country for the Sketch Tour Portugal project was a real privilege, and an ultimate challenge. The rhythm of Inma is amazing - in number of drawings and in quality, but what makes me feel really delighted is the simple and passionate way she makes them, with results that completely take my breath away. And as if all this was not enough, it was a great company. Thank you Inma!

I know myself too well to suspect that the best drawings would only came in the last couple of days. I was sure about that. From all of the drawings I have done in these five days, 50% of Inma´s, the first one I did in Batalha is my favorite. I sat down under one of those arches of yellow stone, between thin columns. I opened the sketchbook and started to draw. In that half an hour a magical rain fell, one of those that make a lot of noise and impress. Then it ended abruptly, making room for a beautiful blue sky uncovered in the clouds.

It's my favorite drawing because there are things tnot visible, but I know they're there. The monumental rain that fell in that half an hour, and the deafening sound of falling water from the sky, sprawled violently in the stone paving. The joy of having lived an unforgettable experience with someone I admire and who I love so much. The feeling of a fulfilled duty after a week sometimes so difficult. And an indescribable but ephemeral happiness, but sometimes can be shared.

Claustro de D. João I -  Mosteiro da Batalha

Fachada principal -  Mosteiro da Batalha

22/02/2018

10 x 10 Lisbon

O programa 10 x 10 está de volta, desta vez com mais e ainda melhores sessões, e com a participação de novos e extraordinários instrutores. A não perder!
Inscrições e mais informações para o email education@urbansketchers.org
Link para o programa de Lisboa AQUI

04/02/2018

31/01/2018

Semanário

Se eu fosse um jornal seria um semanário. Faço esta analogia porque tenho feito um desenho por semana, e sempre ao fim de semana. Tento também concentrar nesses desenhos, ainda que não seja visível, todas as incidências dos meus dias, do que me inquieta e do que me fascina. Parece que não está lá mas eu sei que está. E vivo bem com isso.
- Mosteiro de Alcobaça, domingo antes do almoço.
(já tinha feito um desenho no mesmo local, que pode ser visto AQUI)

If I was a newspaper I would be a weekly one. I make this analogy because I have done only one drawing per week, and always at the weekend. I try also to concentrate on these drawings, even if it is not visible, all the incidences of my days, what worries me and what fascinates me. Looks like it´s not there but I know that it is. And I live well with it.
- Alcobaça Monastery, sunday before lunch.
(I´ve done a sketch in the same place before, that can be seen HERE)


06/01/2018

New York City

Existem poucas cidades tão fantásticas e cinematográficas como Nova Iorque. Quando ali estive, em 2005, ainda não desenhava, e desta vez sabia que a história teria que ser contada de forma diferente,  a custo, e acho que acabou por ser.
Viajei na manhã do dia 26, logo a seguir ao Natal. O objectivo: passarmos o ano em Nova Iorque!
Depois de uma longa viagem, com escala - que quando se compram quatro bilhetes pode valer a pena essa tortura, chegámos à cidade mágica, pouco antes da hora do jantar. Estavam -6º na rua, um calorão quando entrámos no encantador apartamento construído em 1900 e que alugámos na East Village. Para nós já era uma da manhã, aterrámos nas camas sem jantar e desfazer malas. Acordámos no dia seguinte passava pouco das cinco da manhã, cheios de jetlag, e ao olhar pela janela e para as previsões do Instituto do Mar e da Atmosfera lá da América, percebemos que desse dia em diante a temperatura iria descer muito. Estava prestes a começar a nossa aventura...
(os desenhos são estórias narradas, vale a pena ler)

There are few cities as fantastic and cinematic as New York. When I was there in 2005, I was not an urbansketcher, and this time I knew that the story would have to be told differently, at cost, and I think it turned out to be.
I traveled on the morning of the 26th, just after Christmas. The main objective: to spend the news year eve in New York!
After a long trip with connections -  when buying four tickets may be worth this torture, we arrived in the magical city just before dinner time. They were -6º C on the street, a heat when we entered the lovely apartment built in 1900 and rented in the East Village. It was already one o'clock in the morning in Portugal, we landed on the beds without dinner and unpacking luggage. We waked up the next day at five o'clock in the morning, full of jetlag, and as we looked out the window and at the predictions of weather forecast, we realized that from that day forward the temperature would go down a lot. I was about to start our adventure ...
(the drawings are narrated stories, worth reading)

Voo de ligação de Dublin até NYC| During the flight from Dublin to NYC

Museu do 11 de Setembro| 9/11 Memorial and Museum 

Museu de História Natural| Natural History Museum 

Museu de História Natural| Natural History Museum 

 Museu Guggenheim | Guggenheim Museum

Máquina Polaroid vintage| Polaroid vintage camera

 Times Square

 Empire State Building

21/12/2017

2017 - balanço em desenhos

2017 foi o ano, desde que me tornei um urbansketcher, em que desenhei menos. Ainda assim sinto que está totalmente intacto tudo o que me move no desenho, e sei que esta aparente diminuição não é um problema, mas uma mera circunstância. Bom ano de 2018 para todos!

2017 was the year, since I became an urbansketcher, the one I drew less. Despite that, everything that moves me from a drawing point of view, is totally intact, and I know that this apparent lack of production is not a problem, but a mere circumstance. Happy New Year for all!


Janeiro - no dia em que a minha sogra fez 60 anos.

Fevereiro - no dia de aniversário do meu filho Vasco.

Março - no dia da oficina do Nuno Saraiva (que hoje lançou o livro do "Falo barato")

Abril - durante o Festival Latitudes em Óbidos.

Maio - no dia do aniversário do meu afilhado João Pedro.

Junho - desenhar o regicídio, a minha oficina do "10 years 10 classes"

Julho - Simpósio de Urban Sketchers, a melhor semana do ano em Chicago.

Agosto - o primeiro dia de férias em casa dos meus pais.

Setembro - Jornadas do Património, desenho no Museu do Traje.

Outubro - Ginjinha sem rival, o meu desenho para as lojas tradicionais de Lisboa.

Novembro - duelo com a Rita Catita, no dia em que se celebravam 10 anos de Urbansketchers.

Dezembro - o meu amigo Sílvio Menendez que veio viver para Lisboa.